quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

"Quando se nos engasga a tal palavra"

As estrelas cobiçam o brilho,
Que meus olhos irradiam,
As paredes desesperam pelos risos,
Que de mim não saíram.

Aqueles sorrisos mudos,
Em que se só se ouve suspirar,
Parece que de bem lá no fundo,
Algo te apetece gritar.

Na sombra das ruas,
Todos te parecem querer ouvir,
Passo a passo todos param,
Para te ver sorrir.

Por fora um tóto tu pareces,
Por dentro sentes-te a elevar,
Todos pensam naquela figura,
Que por ali se vê passar.

Donde virá tal alegria,
Que em ti parece emergir,
Todo mundo com as perguntas certas,
Mas a resposta certa tarda em surgir.

Um rebuliço dentro de ti,
Graças a uma paz que em ti emana,
Um sentimento contraditório,
Que talvez a alguns não engana.

Será que te estás a enganar,
Ou talvez seja medo de dizer,
Que sentes algo por aquela pessoa,
O que será que vai suceder?

Um palavrão ali entalado,
Mas que se propaga em todos os gestos,
Todos os sorrisos, olhares e brilhos,
Em ti estão manifestos.

Vai lá e diz as palavras,
Ganha coragem de certo te irá ouvir,
Basta apenas dizer "Eu amo-te",
Depois tudo o resto irá fluir.

Não saberás as reações,
Se a ação de ti não vier,
Pensa "Confiança! Vai correr tudo bem...",
Em vez de "Que seja o que Deus quiser!".

Essa incapacidade é compreensível,
Afinal de contas é uma honra ouvir,
Um verdadeiro "Amo-te"aparecer,
Em vez dos muitos falsos que se ouvem por aí...

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