Nem sei por onde começar, mas bem, sei onde tudo começou, sei onde tudo mudou, onde o nada se tornou em algo e mudou todos os meus dias que se seguiram ao primeiro.
Sentia-me traído pelos meus próprios erros, mas não arrependido, de todos eles, todos os passos em falso, todos os caminhos que tomei, nenhum deles eu apagaria deste mais de um ano que passou, até porque na vida não existem erros, existem decisões, algumas bem pensadas, outras tomadas no momento, de cabeça quente, sem esfriar, sem pensar e maioritariamente inconsequentes e egoístas. Sei que o maior culpado fui eu, só eu, fui eu quem me magoou, pois tenho cabeça para pensar por mim mesmo, devia tomar as minhas próprias decisões, devia saber distinguir os sentimentos, as vontades das necessidades, o querer ter do precisar e de facto não precisava, o que estou a viver agora, não estando agora a enganar-me a mim mesmo, faz-me ter a certeza de que não precisava de ti, não precisava porque agora sou feliz, ultrapassei, finalmente estou consciente disso e sem querer ferir as ideias, sem querer ofender os pensamentos de ninguém, quem perdeu não fui eu, foste tu e só tu, pois agora sinto-me vivo de novo.
Agora talvez venha a questão, "Como fiz para superar?". Em primeiro lugar desci bem fundo, senti-me mesmo mal, péssimo, sem esperança, triste, sem ânimo, sem objetivos, sozinho, incompreendido e em segundo lugar identifiquei tudo aquilo que referi em primeiro lugar, percebi que estava mal, sem vontade, sem esperança e acima de tudo as duas coisas que mais me faltavam, sentia-me incompreendido e sem objetivos. Depois destes dois passos não sei como, não sei donde veio, mas inexplicavelmente ganhei uma força, uma curiosidade, perdi o medo de me magoar, perdi o medo de descobrir, dei um salto na procura do voo que estava a precisar, sem salto por muito que batas asas, por muito que esperneies não sais do sítio, não voas e as coisas não mudam, se te sentes triste ficas ainda mais triste, se estás perdido sentes-te ainda mais perdido, se te sentes sozinho vais ficando cada vez mais assombrado pela solidão, então fui à procura do que mais me fazia falta, fui procurar objetivos, fui procurar alguém que não ouvisse apenas com os ouvidos, mas que usasse a cabeça para me ouvir, para me compreender e na realidade, depois de tanto procurar, tanto falhar, depois dum percurso acidentado, aos soluços e com tropeços, finalmente achei e aí houve a tal mudança.
E aí depois do tal clique, reside uma segunda questão "Como me sinto agora afinal?". Bem, o ser humano rege-se por valores, aquilo que eles mais valorizam é o que os move, o que define as suas decisões, opções e o que estabelece as suas prioridades, os tais chamados sonhos. As pessoas têm vários sonhos, vários objetivos de vida, quer profissionais ou pessoais, algo que nos realiza como pessoas, algo que nos traz vida que nos tira do fosso, que não nos deixa sobreviver, que nos faz viver e que apaixona e aquele valor que estiver acima na tabela, a prioridade, é o que estabelece o tal maior sonho e que mesmo tendo tantos outros sonhos realizados a falta desse parece destruir tudo. É assim que me sinto, a realizar o meu maior sonho, o meu objetivo de vida, sonho um dia ser um homem de família, ser pai, ter a minha mulher, os meus filhos e estou num início, um belo início desse sonho, encontrei a tal compreensão, alguém que só me dê vontade de continuar a ser eu mesmo, sem medos com a tal vontade de voar e que de repente é o meu objetivo de vida, algo do qual não vou desistir e vou lutar todos os santos dias.
Depois deste relato só tenho um conselho a dar, não deixem de tentar o tal voo, não tenham medo de saltar, já dizia o falecido filósofo português Agostinho da Silva "O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.", então sejam curiosos e tentem descobrir o que há para descobrir, toda a gente se magoa, mas só os que tentam e apesar de se magoarem é que vencem, por isso boa sorte na luta pelos vossos sonhos!
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