quarta-feira, 6 de junho de 2012

"Um sonho para recordar"


Lembro-me de ter sonhado várias vezes com ela, e lembro-me de ter sonhado várias vezes o mesmo sonho. Lembro-me que aí não era só eu que a amava, ela também me amava, estava tudo tão bem! …
Nesse sonho não tínhamos as nossas discussões, ela já não era um mistério para mim e não me irritava como me irrita, ali só havia paz, amor e liberdade, aquele primeiro beijo, foi quase como se o sentisse em todas as noites que o dei, e foi seguido de outro e outro. Gostava de ter sabido o início da história, mas foi aí que o sonho começou, estávamos abraçados calmos e sós e ela sorria lindamente como só ela sabia, parecia que me compreendia na altura, parecia ter interiorizado que o que eu sentia era genuíno e por mais que quisesse não podia fugir mais.
Aí partilhamos tudo e mais alguma coisa, ela partilhou os seus segredos mais íntimos, partilhou os beijos mais doces, mas tudo aquilo que ali vivi não passou para a realidade. Saímos para ver o pôr-do-sol e conversamos, tal e qual eu gostava de conversar agora, com ela, sentado naqueles rochedos a ouvir o bater das ondas e a ouvi-la, a ela, ouvir coisas que gostava de saber sobre ela mas que num sonho não passam de sonhos. Dançamos, imaginamos a música e dançamos, eu junto dela e ela, junto de mim, e eu comecei a cantar para ela, acho que nunca vi tão frio coração aquecer tão rapidamente e houve um último beijo, e aí acordei com os lábios doces e o corpo a tremer. Sonhei tudo isto vários dias, umas vezes em dias consecutivos outras em dias intercalados.
No final, só consigo pensar que não passa dum sonho e que não me devo alimentar dele, a pessoa que aí conheci não é a que existe na realidade e gostava de lembrar isto tal e qual como é, um sonho. Não sei porquê, mas acho que este é o sonho mais estranho que alguma vez sonhei, igual a muitos outros mas estranho porque o sonhei várias vezes e porque, no fundo, toca àqueles que não têm algo assim, sonhos.

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